Agora em Creta, na Grecia, depois de uma rapida passagem por Londres, com aquele movimento incrivel de turistas, artistas, executivos, gente de todo canto, fiquei com a imagem da cidade como um imenso porto de viajantes que estao sempre de passagem (parece aquela musica do Milton...)
Aqui ha uma semana, em Agios Pavlos, no sul da ilha, local longe de turistas, praticando Ashtanga Yoga as 6:30 da manha, junto com outros viajantes-turistas de todas idades, num espaco construido por um casal de professores de Yoga.
Lavando pratos em troca de um desconto na estadia, talvez mais por necessidade de trabalhar, participar da rotina do lugar, onde os que trabalham sao viajantes que por aqui pararam por alguns meses pra praticar, viver na frente da praia, e aproveitar a comida vegetariana preparada por 3 cozinheiros-viajantes que se revezam na semana.
O incrivel eh que depois de alguns dias de rotina Yoga-comer-praia-ler-comer-ler-dormir, percebi como cheguei agitado, como qualquer outro executivo vindo de Londres, sendo que no meu caso tenho viajado nos ultimos 8 meses. Parece que viajar tem sido meu trabalho, que vem com o stress de tantas informacoes novas, planejamentos e tentativas de controlar o incontrolavel. E nesse final de semana, ja mais relaxado, sem aquela intensidade do fluxo interminavel de pensamentos aflorando todo instante, vou tomando consciencia dessa vida de viajantes que levamos, seja em Londres, Creta, Sao Paulo ou Delhi, mesmo sem perceber com tanta frequencia.
A sensacao eh que todos que encontro sao viajantes, mesmo com suas casas proprias, fazendas, paises, passaportes. E quando me vem aquele desespero por uma casinha minha, um sitio no interior, uma rotina (o que sinto que sera uma realidade num futuro proximo), tambem sinto que continuarei sendo um viajante, o que traz uma sensacao bem gostosa. O engracado eh que ja era viajante muito antes e esquecia que viajando estava.
O voltar pra casa eh tomado por diferentes sensacoes, pontos-de-vista, um englobando o outro. Voltar pra casa talvez seja somente se sentir em casa, nessa casinha que carregamos, e que as vezes parece uma mansao na fazenda com aquele cheirinho de comida no fogao a lenha onde todos podem entrar, e noutras uma cela minima onde mal caibo eu. E a questao eh comecar a abrir as portas pra se dar conta do real espaco, portas que lavam a mais portas, sem fim.
(essas palavras abaixo escrevi alguns dias atras no meu caderno e senti que vale a pena passar pra ca...)
Descascando ha algum tempo
Cascas, peles, couracas
Algumas como uvas que rasgam e o sumo pula pra fora
Outras de figos-da-india com seus espinhos que incomodam mesmo sem enxerga-los nas palmas
Todas cascas, mesmo as grossas, tambem sao sutis, eh como amor aglutinado
E parece que o mais gostoso nao eh se livrar delas, mas aprender a deixa-las assim
Aqui um encascado, enclausurado, enlatado vive a sua poesia
Agora um incontido, indefinivel, imensuravel, transcende suas peles
E se reconhece ao deixar de se conhecer
Afinal, pra que tantas certezas
Sobre esse eu-voce-nos-eles
Se nem eu sem quem eh
Boa garoto!!
ResponderExcluirContinua escrevendo ai, que tenho voltado ao blog com frequencia em buscas dos novos posts...
Sim, London e esse porto mesmo, todo mundo viajante, em todos os sentidos...Outra definicao que gosto daqui e que Londres e o manicomio mundial - por livre escolha, malucos de todo o mundo se internam por aqui.
Sabadao de sol no verao londrino, rolando um free festival no Regents Park. Cheguei la, aquele formigueiro de gente de todas as cores e tamanhos e idiomas, too much information...cai fora e me estiquei no gramadao ao lado...
Sei que voce ta natureba, mas da um perdido nos vegetais numa janta ai e manda ver um Gyros com bastante garlic sauce pra mim!
saudades viajante. quero viajar ao seu lado ( tudo bem, ja estou, mas digo ao seu lado fisicamente).
ResponderExcluira minha casquinha ta bem gostosa por agora, vai entender, os sabores mudam de tempos em tempos
gosto da sua poesia
e mais ainda de ser sua irma
beijos, me liga
xaxa
dizem que sou louco, por pensar assim.....mais louco é quem me diz e não é feliz.....
ResponderExcluirviva as cascas...oq seriamos sem elas??
Melmeirazimoooooooooo
lets flow browwwwwwwww!!
beijos na bunda...hehe
Caxola....
Fala Viajante do Dharma!
ResponderExcluirCasinha no interior?Fogãozinho a lenha? Massagem tibetana?Estou vendo queesta viagem vai parar lá em Amparo!
O melhor é que a liberdade está revelando o poeta em você!
Brilhante!
VIVi
Melmito,
ResponderExcluirQue viagem linda e que delícia pode compartilhar das suas experiências, pensamentos, fotos...
Assim, também me sinto uma viajante.
beijo grande com saudades
Se cuida!
Ka