Texto publicado na coluna Satcine da revista Yoga Journal - Out 09 - André Melman
Alemanha Oriental, começo dos anos 80, antes da queda do muro de Berlim.
A espionagem invasiva que o filme retrata, me mostrou uma batalha: artistas que vivem a partir da expressão de um lado e burocratas que vivem do controle dessas expressões do outro.
E tive o prazer de ver uma veia artística nascer em um burocrata, e a tristeza de testemunhar o medo do descontrole contaminar uma artista.
Fácil enxergar vítimas e abusadores, mas com um olhar mais afiado, é possível captar como cada um vai montando sua própria estória.
A vida dos outros passa a ser a de si mesmo, os outros como espelhos, sejam eles guias ou desafios no caminho.
Quando uma artista deixa de focar em simplesmente ser, e escolhe fazer para ser aceita, para se sentir segura, afastando-se do Dharma, é presa fácil num mundo de controle externo, dos burocratas. E também quando um burocrata altamente controlado passa a escutar com atenção e cuidado, uma possibilidade enorme surge para deixar o lugar seguro e arriscar-se em ser.
A beleza do jogo entre vilões e heróis – Lila - uma dança, onde a verdade dentro de cada um, ou o abandono dessa verdade, vão criando tonalidades mais cinzas ou mais coloridas.
Nesse filme entendi realmente o que representou a queda do muro. O muro está se desmontando dentro de mim, e um antigo mundo de controle excessivo vai dando lugar a novas formas de ser e se expressar.

Olá, Andre. Tudo bem? Sou a Cecília, da Edelman, agência de comunicação da Jorge Zahar Editor.
ResponderExcluirÓtima lembrança em tempos de comemoração do 20º aniversário da Queda. O filme é citado no livro "1989: o ano que mudou o mundo", de Michael Meyer, como um excelente retrato da opressão na Alemanha Oriental, onde uma em cada 17 pessoas trabalhava (obrigatoriamente) pela segurança do Estado e como informate do regime. Ninguém confiava em ninguém.
Hoje, mesmo duas décadas depois, o muro ainda causa assombro.
Abraços e espero passar por aqui mais vezes.
Oi André,
ResponderExcluirLindo o blog! Adorei os textos e as dicas de livros e filmes de dvd.
Virei seguidora ;-)
Vai lá no meu tb.
Bjs
Namastê
Fê (amiga da Taciana)
Olá:
ResponderExcluirTudo bem?
Embora tenha gostado muito do filme, recentemente li que os espiões da Statsi dificilmente ajudariam o cidadão, já que cada um fazia uma atividade específica, igual em "Tempos Modernos", de Charlie Chaplin. Mas, dá para ter uma pequena noção, assim como no filme "Adeus,Lênin".