segunda-feira, 9 de outubro de 2006


Estar voltando sem lembrar de ter ido
Sem saber de onde partiu primeiro
Sem conhecer o paradeiro

Esse lembrar que os sentidos enganam
Onde já não faz sentido aliás
E já nem é pra frente ou pra trás
Por mais que ainda se sintam

E mesmo sem aquele sentido assim
Deixar-se estar perdido
Sentido, deitado, calado, vivo
E achar-se nesse paradoxo sem fim

sábado, 23 de setembro de 2006

Aterrisando (mas agora com todos acentos `´^~ !)

Há alguns poucos dias cheguei em São Paulo, ou ainda estou chegando. Depois de 10 meses é interessante e forte voltar, rever a família, a casa, alguns amigos, a cidade, av. Paulista, pessoas nas ruas. Sensação de ainda estar viajando, vendo como visitante mas ao mesmo tempo já sentindo algumas pressões internas pra acelerar. Uma cobrança antiga, que se adequa bem no dia-a-dia de Sao Paulo, mas que fica até esquisofrênica nesse momento em que ainda mal aterrisei e preciso realmente desacelerar e reiniciar com calma.



Traz confiança perceber que os encontros acontecem nos seus próprios tempos, encontros verdadeiros, sem pressa, sem euforia, reencontros que trazem aquela sensaçao de estar no lugar certo na hora certa.
Alguns momentos vem aquela vontade de sair ligando pra amigos, conhecidos, dizer que cheguei, que quero ver, quando nem mesmo cheguei.

Bonito voltar e ter tantas oportunidades de recomeçar, seja num ano-novo judaico, no acolhimento de pessoas muito queridas, num primeiro dia de primavera ensolarado, lendo um livro que trouxe da India, recebendo um e-mail de um amigo que ainda não sabe que já estou de volta, possibilidades que preenchem de gratidão.

É uma grande oportunidade voltar pra cidade onde sempre morei depois de alguns meses intensos em outras culturas, lugares, tempos. O condicionamento aflora em vários pontos e vêm a tona. Tudo aquilo que sempre fez parte do dia-a-dia, locais que morei, trabalhei, ruas que frequentei, amigos, familia, maneiras de se adequar ao ritmo da cidade, as diversas possibilidade de fuga e encontro de/com si mesmo, tudo isso vai mostrando com mais clareza aquela imagem que faço de mim mesmo.

Uma imagem bastante relacionada com a casca que foi se moldando pra viver ou sobreviver física e emocionalmente nesse lugar-espaço-tempo. A imagem de um André que precisa ser bem-sucedido, que deve seguir as regras e normas pré-estabelecidas com o mínimo de questionamento, o menino Melman que deve seguir sua religião/tradição e ser um bom menino a partir da moral descrita, o adolescente competitivo que deve ganhar medalhas e troféus, ser melhor e se ver através dessa comparação sem fim, o executivo que deve traçar estratégias pra sua carreira de sucesso, e até o buscador que precisa chegar em algum lugar onde outros não chegaram pra se sentir mais poderoso dessa forma.

O lugar em si tem um significado profundo pra mim, mas essas cascas todas puderam ser vistas em cada local que passei, em cada encontro, com um guru na India, uma menina simples no sul da França, um ciclista japonês na Jordania ou um soldado em Israel.
A oportunidade agora é de olhar novamente pra essas e novas cascas aqui, e acolher cada uma delas, nos encontros com amigos, familia, pessoas com quem já trabalhei, conversei, namorei, vivi. E ao acolher ir percebendo que não sou somente essas cascas, que posso também enxergar a beleza no "feio", que posso ter prazer no "desconforto", que posso ser um "bom" menino sem seguir a moral externa e até mesmo um "bom judeu" sem viver de acordo com as escrituras.
E por enquanto sigo escrevendo, enquanto me sentir um viajante nesse planeta, país, cidade, bairro, casa, quarto.
E aqui agradeço aos que vejo e aos que não vejo, esses mestres todos que proporcionam cada vez mais entender esse eu, esse Nós.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Rios

Chegar numa cidade nova, num novo albergue, eh sempre diferente mas com algo que se repete. Agora ja ha alguns dias em Firenze num lugar muito gostoso num pequeno predio de fachada medieval e bem confortavel por dentro, sinto a troca vindo de um albergue em Roma barulhento e sem charme. Esses "altos" e "baixos" que se repetem vao mostrando outras maneiras de ver os altos e baixos. Tenho percebido que o que me traz certa paz eh um local tranquilo pra dormir, escrever, descansar entre caminhadas e jornadas, tomar um cafe-da-manha decente, ler um pouco, caminhar pelo rio, subir o morro pra ver o por-do-sol.




Engracado perceber isso viajando e parando cada 3 dias num novo lugar, que me faz bem ficar em casa, me sentir em casa. Esse sentir-se em casa com certeza vai alem do lugar em si, mas o lugar que escolho pra estar pode facilitar muito esse encontro, mais em contato comigo, minhas emocoes, minhas vozes e ouvidos, e consequente/e com o lugar em si. Eh uma roda, um ciclo virtuoso que vai proporcionando escolher cada vez mais de acordo com esses ouvidos que vao se afiando.

Eh logico que me pergunto porque continuo seguindo de lugar em lugar. Quando chego num desses lugares que me levam pra esse espaco de conforto, porque nao fico por la? Ainda nao sei a resposta mas talvez nao conheco (ou reconheco) esse lugar, esse onde nao ha necessidade de vagar, de conhecer ouras maneiras de estar.
Mas vou seguindo, vendo com mais clareza que esse meu movimento constante nao eh necessario, que o movimento eh por si soh, como um rio que desce morro abaixo, que varre, flui e sempre vem de novas formas, novas ondas, seja mais raso ou mais profundo. E as vezes me sinto como uma barragem, tentando conter esse fluxo todo, fazendo um esforco enorme pra me convencer da importancia do meu movimento, quando esse movimento eh puro fruto do medo da inundacao, da agua tomando todos os campos.




E cada vez mais quero estar na beira do rio vendo e vivendo os diferentes mundos que ele traz a cada instante. Mergulhar, nadar, e voltar pra beira, olhar da outra margem, mergulhar de novo.
Falar mais com as aguas, ouvir suas estorias em cada bolha de ar, aprender com quem respira dessa forma natural onde as barragens sao somente temporarias e impermanentes.
E vou entre rios, caminhando pelas beiras de cada uma dessas cidades, e quem sabe me leve a beira de algum rio-amigo e me veja nadando nas aguas, ora rasas, ora profundas, essas aguas que julgava controlar algum dia atras.

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Casas e cascas

Agora em Creta, na Grecia, depois de uma rapida passagem por Londres, com aquele movimento incrivel de turistas, artistas, executivos, gente de todo canto, fiquei com a imagem da cidade como um imenso porto de viajantes que estao sempre de passagem (parece aquela musica do Milton...)

Aqui ha uma semana, em Agios Pavlos, no sul da ilha, local longe de turistas, praticando Ashtanga Yoga as 6:30 da manha, junto com outros viajantes-turistas de todas idades, num espaco construido por um casal de professores de Yoga.
Lavando pratos em troca de um desconto na estadia, talvez mais por necessidade de trabalhar, participar da rotina do lugar, onde os que trabalham sao viajantes que por aqui pararam por alguns meses pra praticar, viver na frente da praia, e aproveitar a comida vegetariana preparada por 3 cozinheiros-viajantes que se revezam na semana.

O incrivel eh que depois de alguns dias de rotina Yoga-comer-praia-ler-comer-ler-dormir, percebi como cheguei agitado, como qualquer outro executivo vindo de Londres, sendo que no meu caso tenho viajado nos ultimos 8 meses. Parece que viajar tem sido meu trabalho, que vem com o stress de tantas informacoes novas, planejamentos e tentativas de controlar o incontrolavel. E nesse final de semana, ja mais relaxado, sem aquela intensidade do fluxo interminavel de pensamentos aflorando todo instante, vou tomando consciencia dessa vida de viajantes que levamos, seja em Londres, Creta, Sao Paulo ou Delhi, mesmo sem perceber com tanta frequencia.

A sensacao eh que todos que encontro sao viajantes, mesmo com suas casas proprias, fazendas, paises, passaportes. E quando me vem aquele desespero por uma casinha minha, um sitio no interior, uma rotina (o que sinto que sera uma realidade num futuro proximo), tambem sinto que continuarei sendo um viajante, o que traz uma sensacao bem gostosa. O engracado eh que ja era viajante muito antes e esquecia que viajando estava.

O voltar pra casa eh tomado por diferentes sensacoes, pontos-de-vista, um englobando o outro. Voltar pra casa talvez seja somente se sentir em casa, nessa casinha que carregamos, e que as vezes parece uma mansao na fazenda com aquele cheirinho de comida no fogao a lenha onde todos podem entrar, e noutras uma cela minima onde mal caibo eu. E a questao eh comecar a abrir as portas pra se dar conta do real espaco, portas que lavam a mais portas, sem fim.

(essas palavras abaixo escrevi alguns dias atras no meu caderno e senti que vale a pena passar pra ca...)

Descascando ha algum tempo
Cascas, peles, couracas
Algumas como uvas que rasgam e o sumo pula pra fora
Outras de figos-da-india com seus espinhos que incomodam mesmo sem enxerga-los nas palmas

Todas cascas, mesmo as grossas, tambem sao sutis, eh como amor aglutinado
E parece que o mais gostoso nao eh se livrar delas, mas aprender a deixa-las assim
Aqui um encascado, enclausurado, enlatado vive a sua poesia
Agora um incontido, indefinivel, imensuravel, transcende suas peles

E se reconhece ao deixar de se conhecer
Afinal, pra que tantas certezas
Sobre esse eu-voce-nos-eles
Se nem eu sem quem eh

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Agradecendo

Fiquei surpreso por ver varios amigos comentando o ultimo texto, enviando e-mails. Me motiva pra continuar escrevendo num lugar publico como esse blog (ainda estranho pra mim) e pra tirar palavras que ficariam somente no meu caderno, trocar com voces.
Dentre os comentarios, varios eram novos textos, e talvez esse texto agora nao seja mais do que um desses "comentarios", a partir de novas reflexoes que trouxeram, que me tocaram e me inspiraram. Obrigado por cada palavra, incriveis palavras.

Ja me despedi dos amigos da fazenda, depois de quase 2 meses juntos, e talvez a melhor amiga que fiz por la foi uma menina linda de 2 anos, Daria, que morava na mesma casa. Amiga que me ajudou a ver com mais clareza, que era sincera mesmo nos momentos mais tensos e me ajudava a ser mais sincero comigo. Aprendi muito com ela e trocamos como amigos, sem hierarquias por tamanho ou idade. Dancei, brinquei, cantei, corri, conversei muito com ela. Ela eh dessas criancas que nao precisam de abracos e beijos todo momento e fui aprendendo outras maneiras de expressar esse amor, essa excitacao de estar com uma pessoazinha tao linda. Me surpreendia com ela a cada dia, e ainda carrego esse estado de surpresa comigo, talvez surpreso comigo mesmo por ter visto o real tamanho dela. Obrigado Daria por cada sorriso, cada cara fechada. Obrigado pela paciencia e pela abertura.



Hoje estou indo pra Londres, e deixando Israel. Me pergunto agora o que mais estou deixando e o que levo daqui, dificil de responder mesmo pra mim. Talvez deixei um pouco de mim mesmo e levando um pouco de cada um, de cada lugar que encontrei. Deixando amigos, alguns ja de longa data, outros novos, mas tambem levando todos eles comigo, como se estivesse muito maior, com muito mais pra deixar por ai. E me vem todos os amigos, no Brasil, Europa, India, x, sejam parentes, da infancia, de buscas, e percebo que sou um pouco de cada um desses amigos, e vou deixando um pouco deles (ou voces...) em cada encontro, cada trombada, beijo, abraco. E parece que vai ficando cada vez mais facil trocar, pegar um pouco e deixar um pouco. Obrigado por tanta coisa que recebi e por terem recebido minhas coisas por esse mundo afora.

Falando em amigos, estou colocando novos links no blog, com informacoes sobre pessoas, organizacoes, lugares que considero muito especiais, que tive a honra de encontrar nesse caminho ao longo dos anos. Deixo aqui os links pra quem quiser e tiver a oportunidade de ler, encontrar e conhecer amigos que me inspiram muito, cada dia.

Obrigado por estarem comigo nessas viagens, continuarei escrevendo...

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Primeiro Ensaio


Ja faz um tempo que to ensaiando pra escrever, talvez desde que sai do Brasil, ou desde quando cheguei na India, ou na Jordania, ou mesmo antes de sair. Mas quanto mais tempo passa, mais experiencias e menos vontade de sentar pra escrever sobre o que passou, o que senti, o que vivi. Esta semana voltando de Jerusalem pra fazenda no norte de Israel, onde estou morando ha quase 2 meses, senti que escrever eh uma necessidade, escrever sobre o agora, como estou vendo, percebendo e lidando com os encontros de cada dia.
Talvez escrevendo pra mim mesmo e compartilhando com quem tiver curiosidade pra ler e trocar, pelo prazer de escrever.


No final de semana estive entre Tel Aviv e Jerusalem, com direito a show do Olodum ao ar livre, jantar de shabat (dia de descanso judaico) na casa de uma amiga e noites tranquilas num "kibutz" que ja nem eh mais kibutz.
O estado de guerra que o pais se encontra esta sempre presente, seja no radio do onibus, nas TVs em casas e ruas, ou permeando conversas, como um assunto excitante e "novo" a ser discutido. A sensacao de tensao no ar vem crescendo, talvez pela repetitividade das mesmas frases, pelas mesmas reacoes, ou pelo maior numero de bombas e cidades atacadas.
Nos encontros com pessoas novas ou que nao via ha tempos, sempre vem a pegunta se nao estou com medo de estar aqui, se vou continuar por aqui, pra ter cuidado com as bombas (essa eh boa...), acho que perguntas e comentarios basicos em um momento de guerra.

Nas casas no kibutz onde estava por uns dias, as familias centradas nas TVs ouvindo comentaristas e mais comentaristas (estes que parecem bem felizes na TV), imagens de destruicao e morte. Fui me sentindo cada vez mais fora do contexto, talvez por nao falar bem hebraico, talvez por nao ser cidadao israelense, mas acho que principalmente por escolha, escolha de nao querer entrar nessa onda, nao querer participar desse jogo.
Voltei para fazenda organica onde estou agora via Haifa, no norte de Israel, que havia sido bombardeada pela manha, com as ruas praticamente desertas em pleno dia de semana, trens parados, os poucos onibus lotados e rostos talvez um pouco mais tensos, os mesmos soldados de sempre com suas megametralhadoras nos ombros, normal para um domingo no inicio da semana, so que mais visivel agora com o menor numero de civis nas ruas.
Por que sera que ficamos em casa quando estamos com medo? Talvez pois nos sentimos mais protegidos sob um teto totalmente vulneravel, talvez pois nos sentimos no controle assistindo TV e sabendo onde caiu a ultima bomba (pelo menos com o controle remoto na mao...).
Por que a gente se fecha no medo? Essa pergunta me vem de tempos em tempos e sempre me traz muitas reflexoes, mas talvez a principal questao eh porque continuamos escolhendo pelo medo e se fechando cada vez mais. Gosto das analogias que me aparecem entre o movimento do medo em cada individuo, nas familias, comunidades, paises e continentes.
Agora em Israel esse movimento que eh constante, fica mais exposto e explicito. As fronteiras totalmente vigiadas, a reacao forte alem delas tentando afastar o "inimigo" pro mais longe possivel, a culpabilizacao externa pela reacao violenta com a inseparavel vitimizacao, moradores se fechando nas casas, bunkers e tudo aquilo que ja sabemos.
Esse movimento todo a partir do medo de perder o que foi construido, todo trabalho arduo empregado, medo de abandonar os frutos esperados, o conforto, o dia-a-dia previsivel mesmo que em clima de guerra constante.
E me pergunto se estou julgando com informacoes limitadas, mas vejo que eh uma auto-avaliacao, uma analogia direta. Como pode um alergico desde pequenininho nao se ver nessa situacao que se repete ao longo dos anos? O que eh uma alergia senao uma reacao exagerada a um "invasor externo"? A vontade num momento de crise eh de fechar todas fronteiras com o mundo externo, ficar numa bolha flutuante com raios especiais pra matar todos acaros, pernilongos e seres nao bem-vindos presentes no ar. E me confronto com meus medos e questiono o que quero manter como estah, o que nao quero deixar mudar, o que continuo seguindo de forma automatica. E essa nao eh uma daquelas perguntas que se faz numa faculdade (nem mesmo de Psicologia...), pois a resposta da trabalho de responder e de corrigir, eh longa, complexa, muitas vezes sem palavras, sem consciencia dos fatores, ou mesmo sem resposta pra agora.
Da mesma forma aqui em Israel, grande parte das respostas sao complexas e principalmente dificil de serem aceitas, o que nao deixa de ser uma falta de sincerdade consigo mesmo, de assumir a responsabilidade. Por exemplo, o que seriam dos politicos que definem os rumos do exercito se ja nao houvessem fronteiras que definam o pais? Talvez nem mais o cargo existiria. Como pode um politico que vive do conflito diario de ideologias aceitar o fim da sua funcao? E aqui estou eu a falar de mim mesmo, como posso aceitar um eu sem fronteiras sem deixar de ser eu? Se deixar de me auto-definir como esse corpo com essas fronteiras, serei ainda eu? Sera que esse eu morre?
Esse ponto eh crucial, pois mexe na fragilidade do conceito de morte. Sera que temos medo de morrer ou medo de estar completamente vivos, presentes, sem passado pra agarrar ou futuro pra se imaginar?
Vamos achando que morrer eh um instante a ser adiado e esquecemos que podemos estar mortos agora, mortos no automatismo, na repeticao de reacoes, como fantasmas seguindo padroes pre-definidos e sentindo-se vivos ao ver outros fantasmas seguindo os mesmos padroes no piloto automatico.
E entao a culpa pelo meu desconforto e sofrimento eh do acaro, do pernilongo, da formigas, abelha, palestinos, arabes, nazistas, inquisidores. Falo aqui de mim e de Israel mas eh so trocar o nome, pais, religiao, comunidade, e tudo continua valendo.
E agora na fazenda organica onde estou, onde talvez alguns nao compartilhem cegamente dessa cultura do medo, onde nao ha TV com seus comentaristas de guerra por escolha, tenho a chance de olhar o mesmo mundo de outro ponto-de-vista. E aqui vou aprendendo a dormir com as formigas no quarto, com os gatos e seus pelos pela sala, com o po na colheita no milharal.
E entre espirros e manchas vermelhas nos bracos vou escolhendo casa vez mais expandir minhas fronteiras, com toda suas dores e prazeres, ate o ponto de perceber que nem minhas sao essas fronteiras. Ate o ponto de nao fazer mais diferenca onde estou.

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