sábado, 23 de setembro de 2006

Aterrisando (mas agora com todos acentos `´^~ !)

Há alguns poucos dias cheguei em São Paulo, ou ainda estou chegando. Depois de 10 meses é interessante e forte voltar, rever a família, a casa, alguns amigos, a cidade, av. Paulista, pessoas nas ruas. Sensação de ainda estar viajando, vendo como visitante mas ao mesmo tempo já sentindo algumas pressões internas pra acelerar. Uma cobrança antiga, que se adequa bem no dia-a-dia de Sao Paulo, mas que fica até esquisofrênica nesse momento em que ainda mal aterrisei e preciso realmente desacelerar e reiniciar com calma.



Traz confiança perceber que os encontros acontecem nos seus próprios tempos, encontros verdadeiros, sem pressa, sem euforia, reencontros que trazem aquela sensaçao de estar no lugar certo na hora certa.
Alguns momentos vem aquela vontade de sair ligando pra amigos, conhecidos, dizer que cheguei, que quero ver, quando nem mesmo cheguei.

Bonito voltar e ter tantas oportunidades de recomeçar, seja num ano-novo judaico, no acolhimento de pessoas muito queridas, num primeiro dia de primavera ensolarado, lendo um livro que trouxe da India, recebendo um e-mail de um amigo que ainda não sabe que já estou de volta, possibilidades que preenchem de gratidão.

É uma grande oportunidade voltar pra cidade onde sempre morei depois de alguns meses intensos em outras culturas, lugares, tempos. O condicionamento aflora em vários pontos e vêm a tona. Tudo aquilo que sempre fez parte do dia-a-dia, locais que morei, trabalhei, ruas que frequentei, amigos, familia, maneiras de se adequar ao ritmo da cidade, as diversas possibilidade de fuga e encontro de/com si mesmo, tudo isso vai mostrando com mais clareza aquela imagem que faço de mim mesmo.

Uma imagem bastante relacionada com a casca que foi se moldando pra viver ou sobreviver física e emocionalmente nesse lugar-espaço-tempo. A imagem de um André que precisa ser bem-sucedido, que deve seguir as regras e normas pré-estabelecidas com o mínimo de questionamento, o menino Melman que deve seguir sua religião/tradição e ser um bom menino a partir da moral descrita, o adolescente competitivo que deve ganhar medalhas e troféus, ser melhor e se ver através dessa comparação sem fim, o executivo que deve traçar estratégias pra sua carreira de sucesso, e até o buscador que precisa chegar em algum lugar onde outros não chegaram pra se sentir mais poderoso dessa forma.

O lugar em si tem um significado profundo pra mim, mas essas cascas todas puderam ser vistas em cada local que passei, em cada encontro, com um guru na India, uma menina simples no sul da França, um ciclista japonês na Jordania ou um soldado em Israel.
A oportunidade agora é de olhar novamente pra essas e novas cascas aqui, e acolher cada uma delas, nos encontros com amigos, familia, pessoas com quem já trabalhei, conversei, namorei, vivi. E ao acolher ir percebendo que não sou somente essas cascas, que posso também enxergar a beleza no "feio", que posso ter prazer no "desconforto", que posso ser um "bom" menino sem seguir a moral externa e até mesmo um "bom judeu" sem viver de acordo com as escrituras.
E por enquanto sigo escrevendo, enquanto me sentir um viajante nesse planeta, país, cidade, bairro, casa, quarto.
E aqui agradeço aos que vejo e aos que não vejo, esses mestres todos que proporcionam cada vez mais entender esse eu, esse Nós.

Um comentário:

  1. é sempre uma viagem,movimento, mesmo quando parece que estamos parados. E entre uma batida e outra do coração há um repouso, um descanso.
    nademos nesse mar, delícia!!!!

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