quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A deficiência eficiente

Hoje abri um pedaço de papel dobrado, com algumas anotações que fiz num encontro em Outubro do ano passado. Havia uma frase escrita por mim: "Como usar a deficiência de cada um para o acordar de todos?"
E logo abaixo coloquei alguns exemplos para saber do que eu mesmo estava falando, como: "criando novas possibilidades aos cegos, pode-se criar novos intrumentos de visão para os "cegos" de sensações e percepções", ou "criando novas possibilidades aos mudos e surdos, criamos novas possibilidades aos que são "mudos" de expressão".

Achei interessante a frase que tinha escrito, me trouxe uma certa clareza, um entendimento mais sutil daquelas palavras.

A maior parte do tempo tentamos nos afastar das nossas chamadas deficiências e das dos outros, pois incomodam, já que são limitantes para atuar no mundo, para transformar o que está lá fora.
E damos tanta atenção para o que está lá fora, nos identificamos tanto com o que vemos e ouvimos, que qualquer deficiência torna-se um peso, torna-se também parte dessa identidade.

Seja física, emocional ou psicológica, provavelmente a maior deficiência seja a própria identificação: os meus dramas, minhas limitações, meus traumas e consequentemente a projeção para o drama do outro, as limitações do outro. Assim eu me torno minha deficiência, e o outro a dele.

E se o que chamamos de deficiência não tivesse mais dono, se não fosse mais a minha ou a dele, dela, simplesmente fosse uma grande deficiência, como que um grande corpo com milhões de possibilidades de deficiências. Um corpo através do qual qualquer um poderia se identificar com uma parte dele e dizer que é aquilo. Um corpo que já existe há muito tempo, há centenas de gerações, disponível para essa identificação.

E se fossem tantas gerações se identificando com esse grande corpo, que já estivéssemos completamente condicionados a fazer o mesmo?
E se de repente, de um segundo para o outro, percebessemos, agora, que não somos esse corpo, que podemos nos desligar dele? Que podemos olhar e sentir esse grande corpo sabendo que não somos isso? Talvez a primeira pergunta que viria a seguir, seria então "quem somos, quem sou eu?". Só essa pergunta já vale a pena a experiência.
E essa grande deficiência, ou a de cada um na visão identificada, seria assim utilizada para o acordar de todos, acordar para uma nova maneira de ser e estar, provavelmente menos deficiente, menos dramática e mais em paz.

2 comentários:

  1. vc me fez lembrar de uma historia bacana. de como a gente devia aprender a identificar cada um com o que ele tem de melhor. ver possibilidades e não obstáculos.
    gostei dos seus posts.

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  2. MARAVILHOSO De!!!
    Muitas saudades de vc,
    Beijos com carinho e torcendo para qu epossamos nos encontrar logo
    Be

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