A principal força que percebo aqui é que não existe teoria, mas somente experiência, explícita! Tudo o que acontece aqui é uma oportunidade para me conhecer, ir mais profundo. E posso dizer que é arrebatador – quanto mais me exponho, meus pensamentos e sentimentos, mais recebo de volta. Quanto mais insisto em continuar nas minhas elaborações mentais, mais sou empurrado a me conectar com o que sinto. É como aprender uma nova língua para perceber o mundo, sair da cabeça para o coração – com muito choro e muita raiva envolvida. Contrações e expansões.
Por isso resolvi escrever agora, pois aqui nesse centro existe um “lugar seguro” para me expor, mas me expor aqui nesse blog é um outro desafio, já que o feedback não é imediato. E esse é o ponto principal – o feedback, a aprovação ou reprovação.
Nesse aprender a ser mais vulnerável tenho percebido como passo a maior parte do meu tempo protegendo uma imagem de mim mesmo, gastando caminhões de energia pra isso, pra ser aceito, aprovado, e assim acreditar que devo continuar gastando tanta energia com isso. E toda minha sensibilidade é direcionada para fora, para entender como receber a aprovação de cada outro, para conseguir o que quero - e são tantas imagens diferentes pra se proteger, uma loucura! Mesmo escrevendo agora, me pergunto. O que quero com esse texto, aprovação? Talvez mais uma armadilha pra mim mesmo, mas mesmo se for assim , virão aprendizados.
Lógico que percebo isso em praticamente todos os estudantes por aqui, mas isso não importa, pois me espelham continuamente e assim posso ir soltando cada vez mais. O grande ganho que estou absorvendo, é uma abertura pra ver o outro, e sentir uma comunhão por detrás de tantas máscaras. Aprendendo que minhas máscaras estão sempre presentes mas que posso parar de viver em função delas - a máscara do bom menino perfeito e bonzinho, máscara do conquistador sensível, máscara do buscador espiritual, a do homem sério provedor, a do justiceiro social e assim vai, sem fim.

E me desgrudando dessas máscaras posso ver o outro por detrás das máscaras também, mesmo que o outro esteja totalmente identificado. E é nesse lugar que deixo de ser dois, eu e o outro. Nesse lugar posso me encontrar com o outro e comigo mesmo. Mesmo sem palavras, sem gostar ou deixar de gostar, simplesmente perceber o que é. Ou seja, a responsabilidade é totalmente minha, me desapegar das minhas máscaras é tarefa minha e somente minha.
Na prática durante os últimos dias tenho tomado muita “porrada” quando tento me segurar no padrão antigo, me escondendo por detrás de máscaras – pois tudo que incomoda aqui é incentivado a se expressar diretamente. Quando tento mudar algum outro que me incomoda, todas minhas defesas ficam evidentes. E quando me coloco vulnerável, mesmo com todos os medos de uma ferida aberta, o outro de verdade fica evidente, e há um encontro além das expectativas.
Esta é uma nova possibilidade de levar esse aprendizado para minha vida além das fronteiras de um centro de meditação e de práticas explícitas. Continuando a caminhada para além do medo, mesmo com todos os medos do mundo.
"Quando tento mudar algum outro que me incomoda, todas minhas defesas ficam evidentes. E quando me coloco vulnerável, mesmo com todos os medos de uma ferida aberta, o outro de verdade fica evidente, e há um encontro além das expectativas." Compartilho esses mesmos sentimentos, querido "estrangeiro" ;) Aproveita o retiro por todos nós
ResponderExcluirOlá André, que intenso sua busca...como vimos no PROFIDES "apesar de estarmos procurando pelo que está além dos fragmentos sensoriais, não o enxergamos através da abstração, da generaliação e da intelectualização. Queremos desenvolver um intimidade que desvende o mundo".Allan K - livro Artistas do invisível. Somente hoje consegui chegar no seu blog...gostei muito. Suas experiencias "tocam" a intimidade daqueles que procuram não agir em busca da coisa, mas do espírito da coisa.Todo meu bem querer. Maria José - PROFIDES 2010
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