segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Transitando - 24 de Novembro de 2008

De Londres para Totnes, três horas de trem. Um dia de viagens, conexões, saindo bem cedo de San Giuliano, Toscana, Itália.

Posso dizer que senti a diferença no ar ao sair do avião em Londres, o rosto do oficial na alfândega, os olhares e passos rápidos – interessante como pode-se perceber facilmente as diferentes freqüências de energia que vibram em cada lugar.
E essa tem sido uma viagem com destinos bem distintos, culturas, passados e momentos que vibram cada um da sua maneira, com sua leveza ou densidade.
Talvez essa seja a viagem (e não é a primeira como vários de vocês sabem!) em que me sinto mais atento, mais presente, e percebendo essa presença crescer a cada dia – ao menos é o que parece.

Já se passaram 3 semanas desde que saí de São Paulo com o objetivo de aprofundar um pesquisa sobre diferentes formas e modelos de negócios/organizações envolvendo alimentos, cultivo da terra e comunidades, enfim, para abrir oportunidades de insights para os meus próximos passos.
Passei pelo Egito, onde pude conhecer pessoalmente a Sekem, um negócio de cultivo, produção e marketing de produtos orgânicos.


Na verdade um sonho que começou 30 anos atrás com o fundador da organização, que transformou áreas desérticas em férteis, modificou a visão do uso de agrotóxicos no país e construiu um negócio e uma fundação integrada com mais de 2000 pessoas envolvidas diretamente. Tive a oportunidade de conversar com parceiros, com o presidente da empresa, embora pouco contato com os funcionários e comunidade local. Mas o Egito merece um capítulo à parte num outro dia.

Estive também na Holanda, o segundo grande choque da viagem ao chegar no aeroporto vindo de Cairo (o primeiro grande choque obviamente foi a chegada no Egito). Em Amsterdam vivi um momento de intensa liberdade, como se já conhecesse aquele espaço, aquele tempo – milhares de ciclistas, canais cortando a cidade, muita água, trazendo uma certa serenidade. Lá pude conversar com o cunhado de uma amiga, executivo de uma das grandes empresas de marketing de produtos orgânicos e naturais da Europa/EUA, uma conversa bem pragmática, bem no estilo dutsch, e muito importante naquele momento.

O próximo passo foi Londres, a sensação de estar no filme Blade Runners, com robôs-andróides andando a passos rápidos de um lugar ao outro, como cavalos com tapa-olhos puxando charretes. Ser recebido pela Duda, uma amiga brasileira foi bem confortador. Na Inglaterra fui conhecer o Schumacher College em Totnes (onde estou agora retornando para um workshop de 2 semanas) - a escola é um centro internacional para estudos de formas sustentáveis e integradas de vida, também uma comunidade onde todos participam das atividades do dia-a-dia como cozinhar, cuidar da horta e limpeza.

A parada seguinte foi o grande paraíso alimentar da Toscana na Itália. Que delícia aquelas montanhas, rios calmos, o azeite que amplia os sentidos, o ar puro e leve, e claro, a beleza das italianas. Reaprendi a gostar de vinho, comer carne artesanal preparada pelos locais, colhi azeitonas pela primeira vez, cuidei de vinhedos biodinâmicos, dormi dentro de uma fazenda e conheci algumas cooperativas, produtores e outros negócios com ingredientes locais. Um dos grandes presentes foi ser recebido pela Lee, uma alemã empreendedora na Toscana e EUA, apresentada por um amigo, Thomas. Um contato ia levando ao outro, a sensação de fazer parte de algo bem maior, onde trocar, dar e receber se tornam a mesma coisa. Fui para ficar 2 dias e estive por 7, só posso dizer que espero voltar logo mais.



E hoje, saindo do interior da Toscana, para Pisa, para Londres, para Totnes onde participo de um encontro de empreendedores de vários países elaborando, redefinindo seus projetos, negócios. Criando formas sustentáveis, de longo-prazo, com base na harmonia e integridade de todos envolvidos, pessoas, terra, água, ar, bichos, plantas.

E parece ser essa a palavra-chave desses últimos dias, o prazo, o tempo percebido. Quanto mais consigo expandir o tempo, o prazo do que é vivenciado agora, para trás e para frente (lembrando da minha amiga rabina, Luciana), mais presente estou, mais a presença é vivida através de mim. Quanto mais alongo a percepção do que trago do passado e do que projeto para o futuro, mais espaço deixo aberto para o que é agora. Mais o passado e futuro de fundem e criam algo novo.
E vou percebendo que acima de tudo, que pesquisas sobre organizações e negócios, suas estórias, os próximos passos potenciais, é um grande espelho do que vejo, penso e sinto. E vou aprendendo a me enxergar nisso tudo, integrando minha vontades, firmando as bases para construir algo que seja acima de tudo um espelho, cada vez mais claro, divertido e em paz.

2 comentários:

  1. Caríssimo amigo, não sabia que estava empreendendo uma nova viagem. Viva novas experiências e fortaleça seu espírito empreendedor. Quando volta? Grande abraço, Michel

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  2. Salve, André!

    Foi uma experiência muito rica viajar contigo pelo Egito e Holanda. Estou ansioso por saber mais sobre sua jornada!

    Abração,

    Alex.

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