terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Voltando da bolha



Os últimos dias foram cheios no Schumacher College e nas redondezas. Saindo da bolha, uma força que praticamente impediu de me conectar com qualquer assunto fora do que estava vivendo aqui.
A sensação agora de estar sendo praticamente expulso da bolha, como que sendo colocado pra fora da casca confortável, do ambiente "controlável". E está sendo ótimo!

Foram duas semanas com um grupo de empreendedores de diversos países, iniciando ou desenvolvendo projetos e negócios. De alimentos a imigrantes, de maternidade a crianças, de construção a flores, focos diferentes mas todos voltados para o desenvolvimento de conexões reais entre as pessoas, e com o planeta Terra, esse organismo vivo.
Um grupo que me ensinou muito sobre quem sou e onde estou, que me encheu de esperança, de novas possibilidades, de confiança.

Num dos pontos altos do curso, na sexta-feira passada, tivemos o privilégio de estar com uma pessoa incrível durante o dia todo, Tim Macartney, um ex-jardineiro que hoje dirige um centro de liderança com clientes que vão de crianças a altos executivos de multinacionais. Um grande presente de aniversário. Diria que não vi nada de novo, nada que nunca tinha lido, pensado ou mesmo vivido - mas o contexto, a presença experienciada, me trouxe muito conforto e paz no caminho, uma certa tranquilidade ao perceber com clareza que liderar é simplesmente ser, verdadeiramente.

Falar sobre liderança com um grupo de empreendedores ávidos por desenvolver seus sonhos na prática, dentro de uma escola inglesa onde a cultura do pensar praticamente deixa em segundo plano a possibilidade de sentir (mesmo sendo uma escola com objeitvos holísticos) , poderia se tornar somente mais um daqueles guias sem vida, um daqueles passo-a-passo para se moldar, se inspirando nos grandes líderes do passado.

Não falamos de nenhum líder, não seguimos nenhum modelo de liderança durante o dia. Não montamos juntos uma estrutura de um plano de negócios durante o encontro. Simplesmente falamos de nossos medos, do que escondemos debaixo do tapete, dos nossos "wild dogs" - os cachorros selvagens da nossa personalidade que quando reprimidos reaparecem de formas sombrias.
Foi um dia onde o grupo se aproximou, onde as idealizações foram perdendo força, onde a honestidade consigo mesmo era a única coisa que servia pra se comunicar.

A partir desse lugar pudemos investigar mais a fundo nossos projetos nos dias que se seguiram. Investigar os principais dons, os próximos passos, organizar as idéias, apresentar pra diversos públicos, realinhar expectativas. E principalmente, pelo menos no meu caso, abrir mão do controle, da propriedade individual do projeto. Entendendo com mais clareza agora, que só serei feliz desenvolvendo um projeto aprendendo a receber amigos, mentores, parceiros, investidores e profissionais nesse espaço de desenvolvimento. Pessoas que estarão se comprometendo com o mesmo sonho, co-criando.

Hoje, aqui em Dartington na região de Devon, o céu está limpo, um azul brilhante, folhas cobertas pelo gelo, um silêncio no ar, uma sensação de espaço aberto, de nvoas possibilidades. Agradeço essa terra linda, aos encontros, aos amigos de hoje e sempre.

3 comentários:

  1. André, querido!
    Obrigada pelo seu compartilhar inspirador.
    Veena Mukti

    ResponderExcluir
  2. Oi Dé, ví suas fotos, e lí este último texto. Adoro seu conceito dentro e fora da "bolha", há um tempo me sentia confortavemente na minha bolha,(é bom tbm, é tempo de meditação e assimilação).
    Fico feliz por ser agradável e bonito sair dela! O ano que vem, na numerologia é o número 2, que é de parceria, associações...um pouco do que vc falou perceber.
    Viva viva viva! Vc é uma pessoa incrível, vale a pena estar junto.
    beijo da sua amiga Mari

    ResponderExcluir
  3. Que delícia perceber que estamos conectados, hermano, vc aí, eu aqui, e a gente "dentro", refletindo sobre e vivendo a liderança... Tenho questões muito parecidas com as que vc compartilhou (obrigada!), especialmente quanto à sua conclusão: ser líder é ser verdadeiro (ou "simplesmente ser, verdadeiramente") e estar presente, íntegro, nessa verdade. Cheguei aí também nesse ano maluco cheio de reviravoltas, especialmente na experiência que tenho como líder na comunidade Semente Una. Cheguei também na simplicidade que é constatar que é a honestidade - ou, como tenho gostado de chamar, o "genuíno" - a qualidade mais impactante quando se quer comunicar, e quando se quer comunicar para propiciar transformações (individuais, sociais...). Estou buscando arredondar um conceito de "comunicação genuína" ou "comunicação COMO desenvolvimento" que passa muito por esta constatação... Este conceito tenho experimentado em meu trabalho na e pela Semente, e tenho buscado referenciais teóricos na pós que faço na ECA (embora a USP seja super marxista, o que impede um pouco considerar qualidades subjetivas, conscientes/inconscientes na comunicação... hehehe..). Tem sido um desafio muito prazeroso! :o)

    Bom, volta logo pra gente falar melhor ao vivo... (nem sei se consegui me expressar bem por aqui, mas vi muitas sincronias de pensar, sentir, agir entre nós, querido hermano!). To indo viajar agora no natal e só volto em fevereiro...

    beijos, beijos,

    Rita

    ResponderExcluir

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails