Assim passamos a acreditar. Desde "que tudo começou", temos a idéia da criação como algo externo, uma lei que limita no tempo e espaço. Provavelmente a saída de Adão e Eva do paraíso, a "queda", é uma metáfora para a crença enraizada na "lei da gravidade".
Assim vamos levando nossas vidas. Sempre há uma razão externa, um motivo fora de mim que me impede de alçar vôos, de dar saltos cada vez mais amplos. E falamos que são motivos graves: a falta de dinheiro, doença na família, violência na cidade. Enfim, a sempre presente lei da gravidade. Tudo fora me limita, tudo muito grave. Vamos nos apoiando em autoridades externas, em "Isaac Newtons" e levando a vida com v minúsculo.
Aqui brinco com uma metáfora. Talvez alguns honestos yoguis nem considerem isso uma metáfora, já que podem saltar com uma leveza extraordinária ou até mesmo levitar. Dizem que Jesus caminhou pelas águas. Uma leveza que foi sendo adquirida por um conhecimento de cada mínima parte do corpo físico, sutil, astral, sem nehuma mágica envolvida. Provavelmente a ciência ainda entenderá muitos desses fenômenos.
Auto-conhecimento parece ser a única saída para a verdadeira liberdade, para escapar da lei da gravidade, de milênios de condicionamento, dos graves motivos externos que reafirmam a impotência a cada momento, da impossibilidade de ir além do passado confirmado.
Já estava escrito no Oráculo de Delfos - quem lá ia, procurando uma resposta fora, deparava-se com a frase gravada nas rochas: "Conhece-te a ti mesmo".
E nessa caminhada para se conhecer é preciso muita vontade, já que as quedas são constantes, repetidas vezes, cada uma dando oportunidade para conhecer mais um canto antes não visto, mais um gancho onde os cabos da gravidade se prendem.
Aqui não falo em aprender a voar como uma águia, mas na possibilidade de olhar todo esse condicionamento do alto, de um lugar onde me observo de fora, e posso perceber onde as amarras se prendem em mim, o que ainda não quero soltar, que medos me levam a fortalecer essa prisão.
Há alguns poucos anos atrás, veria esse texto como fruto da loucura de alguém, ou de uma ingenuidade extrema: como um ser humano pode ir além das leis do mundo?!
Talvez me tornei um "louco" perante o status quo, talvez inocente ao ponto de acreditar que posso voar, além das limitações que sempre acreditei.
Talvez escrevo somente para me convencer dessa possibilidade, onde essa delicada e ainda frágil percepeção ainda necessite de reafirmações, para que logo eu possa ver como uma parte inteira em mim, quem sou.
Sigo escrevendo para mim e para quem fizer algum sentido.
Voar é possível, com os pés enraizados no solo e soltando folhas e frutos ao vento.
Parabéns!
ResponderExcluirSou admiradora de seu Blog. Seus posts são sensíveis.
Felicidades!
Obrigado pelo incentivo!
ResponderExcluirAndré, bem legal o blog!
ResponderExcluirAdorei esse texto. Tudo a ver com a prática do Yoga, em que a energia é levada sempre pra cima.
Vendo o comentário anterior, só posso dizer que "Voar é preciso".